Pior que o boitatá e a mula-sem-cabeça somente a matemática. Essa comparação de horror pode ser ouvida diariamente, ainda que em palavras diversas, em escolas particulares e públicas, do ensino fundamental e do ensino médio. Para os alunos, horror é tanto que, muitas vezes, perdura por toda a vida. Assim, não é incomum encontrar pessoas adultas que ainda carregam uma aversão à matemática, às vezes até traumatizadas por reprovações seguidas por causa de um desempenho insuficiente na disciplina.
Diversas mensagens foram recebidas e quase todas foram enfáticas: a culpa é do professor. Antes que os mestres repliquem indignados, é preciso dizer que os missivistas não quiseram afirmar que a disciplina é terrível por conta de um sentimento sádico dos professores em relação aos alunos. Assim, não se fala que os mestres sejam uma espécie de carrasco dos números e operações matemáticas. Despreparo, condições indignas de trabalho, falta de orientação pedagógica, foram essas algumas das razões apontadas para indicar a figura do professor como responsável pela criação e perpetuação dessa imagem da disciplina.
A professora Cida também concorda que a aversão à matemática se deve aos professores. Depois de muito ouvir alunos da rede pública, ela considera que há uma falha na transmissão de conhecimentos. Os professores "são maravilhosos, sabem muito, mas ainda não se deram conta de que os alunos não sabem tanto quanto [eles]". Para que isso seja contornado, ela sugere que os professores se coloquem no lugar dos alunos. Essa dificuldade em ver o outro, ou de pensar o ensino colocando-se no lugar dos alunos.
Mas a resposta mais incisiva veio de Marcelo Mello, que concorda que a matemática ensinada nas escolas não é muito convidativa. Mas ele retorque: "Porém, a matemática voltada somente para a prática não o é". Para ele, há muito tempo diz-se que a matemática é o bicho-papão, mas pouco é feito para que isso se reverta: "o que mais me espanta é que ninguém toma uma atitude para que a disciplina não seja mais considerada vilã dos bancos escolares".
Marcelo Mello vai mais fundo e diz: "O mito que se criou em cima da matemática é coisa que deixa qualquer governo comunista de cabelo em pé. [...] Me dá muito medo quando uma corrente educacional começa a bombardear ideias de que certa disciplina é isso ou aquilo". De certa forma, Marcelo tem razão, pois, como os mitos, de tanto se afirmar que uma disciplina é um terror, ela se perpetuará e se cristalizará como um terror. "O mito que envolve a matemática é justamente por isto: não sei raciocinar logo, não sei viver", diz ele.
Assim, pelas respostas, percebe-se que uma mudança na prática pedagógica é bem-vinda, fazendo que a disciplina seja ensinada aos alunos de uma forma prazerosa e convidativa, além do equilíbrio entre teoria e prática. "A matemática instrui para uma vida sem muitas dificuldades", conclui Marcelo Mello.
Marcelo Bessa - Publicado em setembro de 2008
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