No nosso dia-a-dia, nas salas de aula, em nossas casas, nas mesas de bares, nos mais diversos lugares, torna-se “lugar comum” ouvirmos comentários do tipo: “A matemática é pra poucos”, “A matemática é abstrata”, ”A matemática é a ciência exata”, “A matemática desenvolve o raciocínio lógico”. Até nos acostumaríamos com essas frases, se elas não nos doessem, nos gritassem e nos indicassem os sintomas de algo crônico e profundo. Como uma ferida cálida a nos incomodar. E, talvez o pior, é bem provável que pratiquemos essas idéias, ou talvez venhamos a praticá-las.
O que é verdade? O que é mito? Todos temos condições de aprender matemática? Ou realmente só alguns poucos? Muitas dessas afirmações já estão no inconsciente coletivo e popular, e são tidas como verdades absolutas, quando na verdade são frases ditas ao vento, vazias de significado se olhadas à luz de um espírito científico. Alguns de nós professores, mesmo sendo comprometidos com o ensino, acabamos acreditando nelas, e infelizmente acabamos por pautar nosso trabalho, com essa perspectiva, com esse olhar.
Parece-me bom e cômodo ensinar matemática, ou qualquer outro conteúdo, pra quem aprende com facilidade. Mas por que alguns têm facilidade em aprender e outros não? Essa é umas das questões relevantes, que urgem por nossa reflexão.
Poderíamos pensar então em identificar quais conteúdos um determinado sujeito teria aptidões pra aprender e ensiná-lo até esse ponto. Seria esdrúxulo: “Joãozinho você mostrou aptidão para aprender função do segundo grau”. Ou: “Pedrinho você tem aptidão para aprender Topologia, Álgebra, Análise...” Seria inusitada tal situação, inverossímil e improvável. Ainda bem!
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